Compostagem é alternativa para gestores no tratamento de resíduos orgânicos

03 feb 16


Pátio de Compostagem descentralizado na Subprefeitura da Lapa (São Paulo)
 
 
A Lei 12.305/10, mais conhecida como a “Política Nacional de Resíduos Sólidos”, trouxe o conceito de responsabilidade compartilhada no tratamento de resíduos, quando todos aqueles envolvidos no ciclo de vida dos produtos são responsabilizados, de forma individual e encadeada, pelo seu tratamento e destinação, incluindo-se seus fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.
 
A coleta seletiva é um instrumento de implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e constitui na separação dos resíduos conforme sua constituição ou composição, sendo útil para definir sua destinação adequada. Nesse processo, o lixo é separado em resíduos passíveis de reciclagem, resíduos orgânicos e os chamados rejeitos, espécie de resíduos que não são passíveis de reaproveitamento e geralmente são enviados para aterros.
 
O lixo orgânico é todo resíduo de origem animal ou vegetal (carnes, vegetais, frutos, casca de ovo) gerado principalmente por residências, escolas, empresas, feiras de bairro, etc. O seu processo de decomposição envolve a interferência de fungos e bactérias e produz, além do mau cheiro, um líquido viscoso e escuro conhecido como chorume que, em contato com rios, lagos e lençóis freáticos podem gerar contaminação. Assim, o tratamento de resíduos orgânicos é assunto de extrema importância no trato da saúde pública e saneamento básico, principalmente pelos gestores, titulares dos serviços públicos de limpeza urbana.
 
A compostagem dos resíduos orgânicos consiste na sua transformação em adubo para a agricultura e tem se mostrado uma alternativa viável e econômica para gestores e comunidade em geral. O método evita que o resíduo seja transportado para aterros sanitários, locais destinados apenas a resíduos sem aproveitamento, os rejeitos; ou até mesmo para terrenos em que o lixo é depositado sem qualquer barreira física de contaminação, os chamados “lixões”.
 
Recentemente[1], a Prefeitura de São Paulo inaugurou uma central de compostagem para reciclar resíduos das feiras livres da cidade, adotando o método de compostagem de sistema de leiras estáticas aeradas, criado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em parceria com a CEPAGRO (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), entidade de utilidade pública daquele Estado. Por este método, o material orgânico é separado e depositado em leiras, espécie de canteiros que abrigam o resíduo, onde é coberto por camadas de palha de grama, cobertura esta que proporciona uma aeração controlada do composto que, aliada à degradação da matéria orgânica por fungos e bactérias, gera a temperatura ideal para a produção do composto. Após um período de pouco mais de 2 (dois) meses, o composto está pronto para virar adubo e pode ser utilizado em hortas e na agricultura.
 
O engenheiro agrônomo Marcos José de Abreu, da CEPAGRO, que auxiliou na implantação dos pátios de compostagem na cidade de São Paulo, explica que a ideia de atuar no tratamento de resíduos orgânicos na cidade de São Paulo nasceu após a sociedade e gestores públicos da Prefeitura terem se mobilizado, durante a elaboração do Plano de Gestão de Resíduos do Município, para que fosse adotado um método ecologicamente correto no tratamento daquele tipo de resíduo. Assim, após negociações, foi apresentada a ideia das “Centrais de Compostagem”, com capacidade para 50 (cinquenta) toneladas/dia de resíduo.
 
Esses novos pátios de tratamento de resíduos diferem-se daqueles criados na década de 70 e duramente criticados, também no Município de São Paulo, porque o lixo a ser transformado em composto é previamente separado e não misturado a outros tipos de resíduos e depois coletado, como era feito antigamente. Ainda, as instalações de uma “Central de Compostagem” são mais simples, sem a necessidade de constituição de uma “usina”, como eram denominados os antigos espaços de compostagem, uma vez que o novo método controla fatores ecológicos como umidade, temperatura, relação carbono/nitrogênio e PH de maneira menos mecânica e sem a utilização de uma estrutura industrial, dando condições para que a atividade biológica de microorganismos realize-se por si só, havendo apenas um monitoramento de cada fase de produção do composto.
 
compostagem 2
Composto (adubo) gerado por resíduo orgânico
 
O grupo já desenvolveu essa atividade em outras cidades, segundo conta Abreu. Em Santa Catarina, o resíduo orgânico já vem sendo transformado em adubo nas cidades de Florianópolis, Lages, Biguaçu e Blumenau; o método também é utilizado em cidades de Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e ainda na cidade de Brasília. Como se vê, trata-se de uma técnica que pode ser utilizada em diferentes tipos de clima e vegetação, nas mais diferentes regiões do país.
 
O método UFSC/CEPAGRO, como foi batizado por ter nascido pioneiramente dentro do campus da universidade de Santa Catarina, cria uma destinação ecologicamente sustentável para mais de metade do resíduo produzido no país, quantidade estimada de produção de lixo orgânico. Para Abreu, “A Compostagem é uma das principais tecnologias para o sequestro de gás carbônico comparado aos aterros sanitários, incineradores ou lixões; e é a única forma de tornarmos as cidades mais verdes e cultivadas, com a consequente reconstituição dos chamados “cinturões verdes” que servem para impedir a infiltração de água e possibilitam a reconstituição de mananciais e da vegetação de mata ciliar dos rios e córregos”.
 
De fato, como já dito, o tratamento dos resíduos orgânicos implica na diminuição da produção do chorume, líquido ácido gerado pela decomposição desses resíduos que causa a contaminação dos recursos hídricos, principalmente rios e lençóis freáticos. Os chamados aterros sanitários apenas criam barreiras físicas para esse líquido, mas não proporcionam uma destinação correta para os resíduos, uma vez que estes são aterrados. Já o incinerador só é recomendado para resíduos que apresentem altos riscos de contaminação, como resíduos hospitalares.
 
A geração de composto cria um ciclo em que o resíduo provindo do alimento é novamente transformado em alimento, criando uma cadeia sustentável para a vida nas cidades. Adotar práticas sustentáveis no ambiente urbano significa proporcionar um espaço mais aprazível, sustentável e, por que não, saudável. A adoção de técnicas sustentáveis pelos moradores de uma cidade e, principalmente, de seus gestores, representa um ato de consideração ao espaço comum e àqueles que nele vivem.
 
[1] http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/9368#ad-image-0

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